ex-posto


não-arquitetura sobre brownfieldsBrownfields são áreas ociosas ou subutilizadas sobre solo contaminado. Normalmente essas áreas estão relacionadas com processos de desindustrialização: o abandono de antigas estruturas fabris e a falta de isolamento de resíduos acabam contaminando os solos. Contudo grande parte das áreas contaminadas no estado do Paraná estão nas áreas urbanas, sob postos de combustível. Segundo o Instituto Ambiental do Paraná, dos cerca de 3 mil postos do estado, 20% (ou seja, 600 empreendimentos) apresentaram algum tipo de contaminação. Esses postos quando desativados comumente permanecem abandonados, pois para que o terreno seja reutilizado é necessário a remediação do solo, um processo lento e dispendioso.
Os brownfields se tornam, então, terrenos vagos no tecido urbano, no sentido da expressão de Solà-Morales, “terrain vague”, conectada à ideia física de uma porção de terra à espera e potencialmente aproveitável, indeterminada e instável. São terrenos à espera da ação dos órgãos governamentais, da remediação do solo, da regularização e de um arquiteto ou de uma outra ocupação, espontânea, ilegal, de um não-arquiteto.
A partir dessas discussões propomos um ato. Um ato sobre os brownfields. Um ato articulador. Queremos expandir a discussão no sentido de compreender um papel do arquiteto como ativista, que pesquisa, investiga, mapeia e age. Entendemos ato aquilo que interrompe a cotidianidade inscrevendo a co-presença em contextos que a renegam – implicam em sincronização de gestos e na representação de papeis que não são esperados e nem programados (de Ana Clara Torres Ribeiro, pesquisadora da UFRJ). Como atelier, o Cora se coloca como experimentador dos limites entre a arquitetura e a arte, a não-arquitetura, ou aquilo que ainda não é arquitetura.
proposta apresentada para a chamada de trabalhos da expo 2017/ arquitetura como interface: onde sistemas se encontram e interagem, para ser desenvolvida com a colaboração dos estudantes de arquitetura e urbanismo de curitiba, brasil.

ATO 1

fotos por Luciana Lemes e Muryel Gomes

ATO 2

Essa é uma exposição sobre um ato, um ato de exposição. #01 Há cerca de ‘???’ postos de combustíveis contaminados em curitiba, mas os dados não são para todos. #02 Sobre o solo, o terreno se torna vago, indeterminado e instável. Terra órfã, rejeitada pelo envenenamento, que continua a se alastrar sob o solo, e que nos intoxica lentamente, mas não se vê. #03 A contaminação permanece soterrada, encoberta, até que é liberada. A tensão escondida é exposta e rompida. No ato, o vazamento que polui é o mesmo que denuncia. #04 Pingo a pingo, o ex-posto torna-se exposto.
que fique claro : #05 existem aproximadamente 1800 postos de combustível em curitiba, mas os dados de contaminação não são divulgados; #06 os sistemas de ação ambiental estão corrompidos; #07 seja marginal, seja herói.

fotos por Felipe Gomes

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status: em exposição no muma

projeto de pesquisa e  intervenção, desdobramento do projeto vague
curitiba, brasil
outubro, 2016 – maio, 2017
alunos participantes: Andressa Almeida, Caio Camillo Santos, Carolina Muraki, Luciana Lemes, Maria Isabel Reis, Muryel Gomes, Taís Sestrem.

 

 

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